fbpx

No Setembro Amarelo, falar sobre saúde mental também é uma forma de cuidado

6 minutos para ler

2

Reconhecer sinais de sofrimento emocional, ouvir sem julgamentos e saber onde buscar ajuda são atitudes que podem fazer a diferença. 

Tem conversa que começa com um simples “como você está?”. Uma mensagem, um café, um encontro ou aquela boa prosa que se estende um pouco mais. Mas existem momentos em que perguntar e, principalmente, estar disposto a ouvir a resposta pode ter um significado muito maior. 

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio e um convite para falarmos sobre saúde mental com mais verdade e menos julgamento. No Brasil, ela é promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria e pelo Centro de Valorização da Vida desde 2015. 

A campanha também é relevante para lembrarmos da importância da informação, da escuta, do acolhimento e da busca por ajuda adequada diante do sofrimento emocional. Ao atingirmos números alarmantes de mais de 720 mil pessoas morrendo por suicídio todos os anos no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), este assunto se torna prioridade, seja em casa, no círculo de amizades e até mesmo no ambiente de trabalho. 

Porque uma boa prosa pode ser um começo. Mas cuidar também é saber ouvir, perceber quando algo não vai bem e entender que ninguém precisa enfrentar um momento difícil sozinho.

Sumário

..

Saúde mental precisa ser assunto durante todo o ano

Fita amarela de conscientização e casal ao pôr do sol, com cartão de corações e braços dados ao fundo, em clima de apoio e solidariedade.

Ainda existem muitos preconceitos quando o assunto é sofrimento emocional. E eles podem aparecer justamente quando alguém encontra coragem para dizer que não está bem. 

“Isso é exagero.”  

“Você precisa pensar positivo.” 

 “Tem gente passando por coisa pior.” 

Mesmo quando ditas sem a intenção de machucar, frases assim podem minimizar aquilo que a outra pessoa está sentindo e tornar ainda mais difícil falar sobre o assunto. 

Não precisamos compreender exatamente a experiência de alguém para respeitar o seu sofrimento. Também não precisamos ter uma solução pronta para oferecer apoio. 

Às vezes, o primeiro cuidado é simplesmente não julgar. Para Nanie, psicóloga da Telemedicina Saúde 24h, serviço ofertado pela Valenet aos seus clientes, “nós precisamos combater o estigma com empatia, com escuta ativa e com a informação correta. Informar, educar e criar espaços seguros são passos essenciais.” 

Reconhecer sinais de alerta também é uma forma de cuidado

Casal jovem em clima tenso e triste, com homem curvado e mulher ao lado preocupada, em uma cena interna com luz quente ao fundo e expressão de cuidado.

Nem sempre uma pessoa consegue dizer claramente que precisa de ajuda. Por isso, prestar atenção às mudanças de comportamento de quem está ao nosso redor também é importante. 

Isolamento, mudanças significativas ou persistentes de comportamento, perda de interesse por atividades habituais e manifestações de desesperança são situações que merecem atenção

Isso não significa tentar diagnosticar alguém. Significa perceber que algo pode não estar bem e não tratar essa mudança com indiferença. Uma pergunta simples e sincera pode abrir espaço para uma conversa: 

“Como você está de verdade?” 

Se a pessoa quiser falar, o próximo passo é igualmente importante: ouvir. 

Escutar é diferente de tentar resolver. Quando alguém compartilha um problema, nossa primeira reação pode ser oferecer um conselho ou tentar encontrar uma solução. 

Mas acolher nem sempre significa resolver. Escutar com atenção, respeitar o tempo da pessoa, evitar comparações e não diminuir aquilo que ela está sentindo são atitudes que ajudam a criar um ambiente mais seguro para o diálogo. 

Em vez de dizer que “vai passar” ou tentar mostrar que a situação poderia ser pior, podemos simplesmente demonstrar disponibilidade. 

Às vezes, a pessoa precisa de uma orientação. Em outras, precisa apenas ser ouvida. E há situações em que o mais importante é ajudá-la a encontrar atendimento adequado. 

Por isso, escuta e acolhimento também fazem parte de uma rede de cuidado. Essa rede pode estar mais perto do que imaginamos. Família, amigos, colegas e outras pessoas que fazem parte da nossa rotina podem ajudar a construir ambientes em que falar sobre saúde mental seja mais natural e menos cercado de preconceitos. 

No trabalho, isso também importa

Dois colegas conversam em um ambiente de trabalho: uma mulher e um homem sorriem enquanto discutem algo, com pessoas ao fundo desfocadas.

Passamos uma parte significativa dos nossos dias convivendo com colegas, lideranças e equipes. Mudanças de comportamento e momentos de dificuldade também podem aparecer nesse ambiente. 

O Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, um recorde histórico conforme dados da Previdência Social. Portanto se torna cada vez mais urgente construir relações profissionais mais saudáveis que passem por respeito, diálogo, atenção aos sinais de sobrecarga e combate a situações de assédio e discriminação. 

Um ponto positivo nesse aspecto foi a recente nova redação da NR-01, norma do ministério do Trabalho e Emprego que redefine diretrizes de saúde e segurança no ambiente laboral e amplia as obrigações das empresas em relação à saúde mental dos trabalhadores. 

Com a atualização que entrou em vigor em 26 de maio deste ano, a regra passa a prever expressamente a inclusão dos chamados riscos psicossociais no GRO – Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e no PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos. Com a nova redação, empresas deverão mapear situações que possam provocar adoecimento psicológico e criar medidas concretas de prevenção. 

Enfim, construir relações profissionais mais saudáveis não significa transformar colegas ou gestores em profissionais de saúde mental. Significa construir uma cultura na qual as pessoas possam ser ouvidas e orientadas a buscar ajuda quando necessário. 

Por isso, o cuidado não deve ficar restrito às ações realizadas durante o Setembro Amarelo. Ele precisa fazer parte das relações ao longo de todo o ano, seja com as implementações da NR1 ou através de uma nova cultura organizacional. 

Pedir ajuda também faz parte do cuidado

Pessoa em ambiente de consultoria ou atendimento, sentada em sofá, segurando um telefone e olhando para um tablet, com outra pessoa ao lado em conversa informal.

Há momentos em que conversar com alguém próximo pode trazer acolhimento. Mas é importante lembrar que amigos, familiares e colegas não substituem o acompanhamento de profissionais capacitados. 

Buscar ajuda psicológica ou médica quando necessário é uma forma de cuidar da saúde.

Se você estiver passando por um momento de sofrimento emocional e precisar conversar, o CVV – Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia. 

Também é possível procurar os serviços de saúde disponíveis na sua região, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). 

Em emergências ou risco imediato, procure um serviço de urgência ou pronto atendimento. 

Compartilhe esta mensagem. Informação também é cuidado. 

fggf

Deixe um comentário

Posts relacionados

Deixe um comentário

error

Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais ;)